Arquitetura inclusiva
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Ao produzir um projeto, profissionais da área de construção e arquitetura precisam estar atentos às exigências legais no que diz respeito à acessibilidade para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. No entanto, o nível de conhecimento sobre o universo dessas pessoas e sobre suas necessidades é o que torna uma construção verdadeiramente inclusiva. "Ninguém promove acessibilidade apenas seguindo normas", afirma a arquiteta especialista em aplicação do design universal Sandra Perito, doutora pela Universidade de São Paulo e presidente do Instituto Brasil Acessível. "Já vi casos em que as normas técnicas foram cumpridas, mas o projeto não era acessível".
Para Sandra, além de seguir as especificações sobre acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), é preciso que o profissional esteja aberto para o conceito de inclusão. A legislação trouxe uma contribuição decisiva paraisso, pois estimulou que os profissionais percebessem a importância de construir ambientes que possam receber todas as pessoas, independentemente de suas limitações. "Normatizações costumam ser recebidas como desconforto, pois provocam mudanças. No caso da Lei de Acessibilidade, as pessoas começam a perceber os benefícios". Além de considerar a questão da inclusão, engenheiros e arquitetos estão levando em conta a questão econômica. Segundo a especialista, o custo de uma construção que segue conceitos de design universal segue os mesmo padrões de outras construções. Por conta de sua pesquisa de doutorado, Sandra trabalhou em dois projetos para avaliar custos. Em um estudo sobre a construção de um apartamento popular acessível, ela constatou que o valor final da obra teria um acréscimo de 3%. Em outro projeto, de construção de uma casa modelo condizente com os princípios do design universal, não houve acréscimo de custos. "Como tudo foi especificado no projeto, nada foi refeito, o valor da casa ficou dentro dos padrões de mercado". O projeto da casa e a análise de custo estão disponíveis em www.universalhome.com.br A promoção de acessibilidade no mobiliário urbano e nos edifícios públicos e de uso coletivo passou a ser exigida legalmente com o Decreto Federal nº 5.296/04, conhecido como Lei de Acessibilidade. Hoje, obras que estejam em desacordo com as normas de acessibilidade da ABNT não podem receber aprovação dos órgãos competentes. Construções aprovadas antes da Lei precisam se adequar e estão sujeitas à fiscalização. Fonte: Sentidos |
